Você conhece a parábola do falcão que não voava?

A partir do artigo Essa animação pode te ajudar a encarar a demissão, em que faço uma analogia do período pós-demissão com a história de Piper – um passarinho que enfrenta dificuldades de lidar com o mundo fora do seu ninho, percebi que muita gente se identificou, se sentiu acolhida e mais inspirada a buscar energia para mergulhar no mar de possibilidades que as adversidades trazem consigo.

Essa semana, eu assisti a um documentário na Netflix chamado Por que caminhar se eu podemos voar?, onde Isha Judd, uma guia espiritual, conta sua própria história e oferece um método para superar medos. O método proposto por ela e o documentário em si não me marcaram muito, mas uma história que Isha conta logo no início do filme, me fez lembrar de vocês que se envolveram com o meu artigo anterior.

Por isso, resolvi transcrever e compartilhar com vocês a história que Isha conta sobre dois falcões irmãos, mas de atitudes bem diferentes. Enquanto um encantava o rei, seu dono, ganhando o céu com voos altos e plenos, o outro se recusava a sair do seu galho.

No decorrer da narrativa, vocês vão perceber como o falcão temeroso consegue alçar longos voos em direção ao sol, conquistando seu espaço no céu.

falcao_1 Você conhece a parábola do falcão que não voava?

"Era uma vez um rei inglês que recebeu de presente dois falcões de Harris.

O rei estava encantado com seu presente.

Toda manhã, olhava pelo janela do palácio e via um dos falcões voando alto pelo céu.

Depois de um tempo, notou que, na verdade, sempre via apenas um dos falcões.

E convocou o treinador do palácio:

  • Por que vejo apenas um dos falcões no céu?

O treinador o olhou e disse:

  • Senhor, tenho más notícias. Como você viu, um dos falcões é magnífico. Voa até o céu e plana majestosamente sobre a terra. Porém, seu irmão se recusa a deixar o galho. Toda vez que tentamos tirá-lo do galho, ele se torna agressivo, fica com muito medo. Consultamos os veterinários e não há nada de errado com ele. Chamamos xamãs e magos. Buscamos as mentes mais brilhantes do palácio para que viessem ajudar com o falcão. Mas não importa o que façamos, ele se recusa a deixar o galho.

O rei ponderou sobre o dilema por um momento. Disse:

  • Quer saber? Creio que precisamos de uma solução simples. Acho que deveríamos perguntar a um fazendeiro.

Uns dias depois, o rei se aproximou de sua janela e para seu assombro havia dois falcões no céu.

Eles eram magníficos.

Estavam subindo em direção ao sol, planando e mergulhando em direção ao solo.

falcao_1 Você conhece a parábola do falcão que não voava?

O rei estava encantado. De novo, convocou o treinador do palácio. Disse:

  • Estou tão feliz, finalmente os dois irmãos estão voando juntos. O que você fez? Como conseguiu tirá-lo do galho?

  • Fizemos o que nos disse, chamamos um fazendeiro.

  • E o que fez o fazendeiro?

  • Bem, na verdade, estávamos tão emocionados com o resultado que esquecemos de perguntá-lo.

  • Por favor, tragam o fazendeiro.

O fazendeiro era um homem muito humilde e simples.

Quando entrou no palácio, estava extraordinariamente tímido, olhando para o solo.

O rei o olhou e disse:

  • O que você fez? Como conseguiu fazer o falcão voar? Que magia utilizou?

  • Pois, na verdade, senhor, não houve magia. Fiz algo muito simples, cortei o galho. E quanto o falcão se deu conta de que tinha asas, simplesmente começou a voar."


Nos conectando com a nossa essência

falcao_1 Você conhece a parábola do falcão que não voava?O falcão que não queria sair do galho, ele não tinha consciência de si, da sua essência como ave e da sua potencialidade para voar e planar no céu. Da mesma forma, acontece com nós que, ao viver uma vida pautada em expectativas externas, perdemos o sentido e vivemos em um modo automático, afastando-nos do nosso eixo e nos distanciando de quem realmente somos.

Ao meu ver, a primeira lição que podemos tirar dessa história é o autoconhecimento. Isso implica em iniciarmos o quanto antes a busca pelo nosso verdadeiro eu, pelo que somos, identificando nossas virtudes e nossas sombras. O primeiro passo para essa jornada é querer se re-conhecer. É estar aberto ao encontro consigo mesmo. E saber que esse é um caminho árduo e precisamos de disposição para nos encantarmos com nossos próprios talentos, assim como enfrentar as nossas más inclinações. Mas, o mais importante, é ter determinação para encontrar a nossa essência, que nos faz únicos e, ao mesmo tempo, partes de tudo e do todo.

Os galhos da vida

falcao_1 Você conhece a parábola do falcão que não voava?Assim como o falcão se apoiava no galho e não queria sair de lá, nós também fazemos o mesmo por meio de nossas limitações. Os galhos da vida muitas vezes se apresentam como medos, falta de autoconfiança ou falta de coragem. São sentimentos que nos deixam como o falcão: agressivos e medrosos com situações e pessoas que tentam nos tirar do nosso galho.

É importante estarmos atentos à falsa sensação de proteção que temos ao permanecer em nossos galhos, nas nossas zonas de conforto. Devemos parar e pensar o quanto perdemos por deixar aquela limitação nos dominar, o quanto ela influencia nossas escolhas e nos faz sentir paralisados, afastando-nos da nossa verdadeira natureza.

Com o autoconhecimento, nós podemos entender, primeiramente, por que o galho existe – o que nos levou a ter aquela limitação; o que o galho representa para nós – quais sentimentos estão associados a ele; e, por último, o como podemos sair desse galho.

A vida nos apresenta fazendeiros

Em muitos momentos da vida, a vida nos apresenta fazendeiros, seja em forma de pessoas ou situações. Uma vez eu ouvi que, se nós não aprendemos algo por meio do amor, aprendemos por meio da dor. Nesse sentido, entendo que muitas vezes aparece oportunidades, assim como pessoas que tentam nos tirar de nosso galho, utilizando a amizade, o carinho, o amor, a compreensão, mas, teimosos, insistimos em continuar ali.

Após essas recusas de aprendizados pelo amor, não são raras as situações em que nos deparamos com fortes adversidades que parecem ter como objetivo principal quebrar nosso galho. É quando não vemos outra saída senão a de encarar as dificuldades. E, assim como o falcão temeroso, descobrimos, diante de um contexto difícil e complicado, que temos asas e que podemos superar aquele momento alçando um voo em direção ao sol.

Nesse momento, nos reconectamos conosco mesmos, com nossa essência, nos re-conhecemos em nossa melhor versão: a que luta para superar os desafios, a que tem coragem para enfrentar as contrariedades, a que redescobre as maiores potencialidades e as utiliza para conquistar as alturas em voos sublimes.

Você tem asas, voe!

falcao_1 Você conhece a parábola do falcão que não voava?

Acredito que a maior lição que podemos tirar da parábola do falcão é que devemos, antes de tudo, reconhecer que temos asas e que podemos voar alto. Que temos nossas potencialidades, nossas virtudes que nos fazem seres humanos ímpares nessa existência. Para isso, devemos também compreender as nossas limitações que nos prendem ao nosso galho.

Se você teve seu galho cortado recentemente, seja por uma demissão ou qualquer outra adversidade na sua vida, busque conhecer-se, entendendo e desenvolvendo seus potenciais e talentos, dissipando tuas sombras e preparando, assim, um voo ao alto e sublime em direção ao teu sol.

Abra as asas e voe!

Leave a Reply